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Bicicleta é boa para economia

A ideia de que os carros são um bem para a economia é ilusória, mas ainda é o que grande parte das pessoas pensam.
A culpa disso é o marketing feito em cima dos carros, que alimenta a falsa ideia de que eles facilitam o mundo e ligam as pessoas. Aliado a tudo isso, estão os custos ocultos e, quando digo custos ocultos, não estou dizendo apenas os custos invisíveis ao comprador do carro (seguro, manutenção, gasolina etc), mas também aqueles que a sociedade deve pagar, ou seja, criação de infraestrutura viária, manutenção dessa infraestrutura, custo de saúde com acidentes etc.

Quando você compra um carro, eu e o resto da sociedade que não tem carro acabamos também pagando para que você possa ter o carro.

Por outro lado, ao incentivar o transporte público, o uso de bicicletas ou de deslocamentos a pé, a população comprovadamente fica mais feliz, o trânsito flui melhor e as cidades ainda ganham dinheiro.

Para tentar mensurar as vantagens do uso diário de bicicletas, a prefeitura de Copenhague desenvolveu uma equação que mediu o tempo de deslocamento, a necessidade de investimento em infraestrutura e em saúde pública e os ganhos com turismo. Nesse estudo, concluiu-se que, a cada quilômetro pedalado por uma bicicleta, a cidade ganha o equivalente a R$ 0,70. Enquanto isso, a cada quilômetro percorrido por um carro, a cidade gasta o equivalente a R$ 0,30.

O urbanista Donald Appleyard ilustra bem nesse gráfico o fluxo de pessoas em uma avenida de grande, moderado e de pequeno tráfego de carros:

social interactions Donald Appleyard

Como podemos ver, o fluxo de pessoas é muito maior onde há um tráfego menor de veículos. Não há dúvidas que mais pessoas nas ruas é muito mais vantajoso para o comércio local dessa rua.

Pensando nisso, várias cidades do mundo estão transformando ruas principais em ruas exclusivas para pedestres, como foi feito na Times Square, em NY.
No Brasil, em Vitória/ES, a prefeitura decidiu fechar para os carros uma rua depois das 22h. No início, os motoristas insistiam em entrar na rua, motivando até protestos para que isso não ocorresse. Hoje, as pessoas ocupam o espaço antes mesmo das 22h, como mostra o video:

Em São Paulo, é possível ver (em todo o decorrer das ciclofaixas de lazer) bares, restaurantes e feiras lotadas de ciclistas:

movimento de ciclistas na ciclofaixa

movimento de ciclistas na ciclofaixa

movimento de ciclistas na ciclofaixa 2

Será que esses lugares tinham todo esse movimento antes?

Veja a reportagem do Jornal da Tarde: Ciclofaixas fazem o comércio ‘bombar’

Criar um espaço receptivo para ciclistas e pedestres cria uma cidade mais humanizada, saudável e feliz. Uma cidade pensada para as pessoas, cria um cenário favorável para o comércio.
Infelizmente, em muitas cidades (como a minha cidade natal, Poços de Caldas MG), as pessoas ainda são muito apegadas ao carro e fazem uma relação totalmente errada entre carro, trânsito e comércio. Ouço sempre o velho discurso sobre como afeta o comércio quando a prefeitura tenta limitar o trânsito de carros ou tirar vagas de estacionamento das ruas. Espero um dia ainda ver mais ruas para as pessoas.

E você? ainda acha que o carro é a solução?

Fonte das pesquisas: Como o pedal transforma as cidades (Revista Superinteressante)

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